Quando o CEO de uma grande gravadora divulga sua tradicional Carta aos Nossos Acionistas, a expectativa costuma ser de cortes, reestruturações ou anúncios delicados. No entanto, a mensagem publicada por Robert Kyncl, comandante da Warner Music, seguiu outro caminho. Após um ano marcado por demissões internas, o comunicado trouxe alívio aos funcionários ao priorizar crescimento, estratégia e novas oportunidades de receita.
Em vez de alertas negativos, Kyncl apresentou um plano semelhante à tradicional mensagem de Ano Novo divulgada pelo CEO da Universal Music, Sir Lucian Grainge. O foco foi estabelecer prioridades estratégicas para os próximos meses, destacando caminhos para expansão do mercado musical e reforçando a posição da companhia em um cenário cada vez mais competitivo.
O executivo ressaltou que a Warner Music segue comprometida em ampliar as receitas provenientes de assinaturas. Ele comparou os US$ 14 mensais gastos, em média, por consumidores americanos com música gravada aos US$ 69 mensais destinados a plataformas de streaming de vídeo, apontando espaço relevante para crescimento no setor musical.
Em um dos trechos centrais da carta, ele afirmou: “Claramente, ainda há uma fatia maior do orçamento destinada à música”. Como exemplo positivo, citou a Tencent Music, destacando o desempenho da empresa na China e seu “crescimento sustentado de assinantes, apesar dos aumentos de preços”, indicando resiliência mesmo diante de reajustes tarifários.
Kyncl também voltou a mencionar o potencial de planos premium voltados a superfãs nas plataformas ocidentais de streaming, embora esses modelos ainda não tenham sido lançados. Em seguida, abordou a disrupção provocada pela IA, destacando que a tecnologia já impulsiona novos formatos de negócios dentro da indústria musical.
No documento, ele declarou: “As experiências de audição passiva de hoje estão enraizadas em um sistema baseado na participação de mercado. Em um mundo mais interativo e voltado para a iniciativa, estamos adotando um sistema baseado em atribuição que agregará valor aos artistas e catálogos mais icônicos”. A fala sinaliza uma mudança estrutural na forma como o consumo musical poderá gerar receitas no futuro.
Kyncl enfatizou ainda que todos os acordos da Warner Music com empresas de música baseadas em IA, incluindo a Suno, são “baseados em uma estrutura econômica variável, permitindo-nos crescer conforme nossos parceiros crescem”. Ele demonstrou otimismo ao comentar o recente marco de assinaturas atingido pela plataforma.
Outro trecho relevante diz: “Nossos dados mostram que quanto mais interativo o meio, maior a receita média por usuário: enquanto os fãs gastam cerca de 25 centavos por hora ouvindo música gravada e 50 centavos por hora consumindo vídeo, eles gastam US$ 5 por hora jogando”, escreveu Kyncl, reforçando a tese de que interatividade amplia monetização.
Ele acrescentou: “Um exemplo mais específico seria o de 2 milhões de assinantes do Suno que pagam US$ 12,50 por mês para criar música… além de pagarem por suas assinaturas de audição.” Sendo a única grande gravadora a licenciar a Suno até agora, a Warner Music possui acesso direto à dinâmica desse modelo de negócio em expansão.
Encerrando a carta, o executivo declarou: “Estamos aproveitando ativamente a IA para vencer”, escreveu Kyncl. Em seguida, afirmou: “À medida que nossa força, resiliência e desempenho fundamentais voltam a ser o foco, e considerando as medidas que tomamos para nos posicionarmos favoravelmente em um mundo de IA em rápida evolução, estou confiante de que todo o nosso trabalho visionário será plenamente reconhecido.”























